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13

Educação 2.0

Postado por: Equipe Digital

Como educar na era da web 2.0, aproveitando o potencial das ferramentas interativas e de colaboração? Como os educadores devem se posicionar frente aos nativos digitais, estas crianças e adolescentes que já nasceram imersas na vida digital?

Para discutir questões como estas, a CP trouxe Barbara Dieu como palestrante da oficina “Blogando para ensinar”. Bárbara é professora da escola franco-brasileira em São Paulo desde 1997 e está envolvida em vários projetos internacionais colaborativos e de intercâmbio. Sua pesquisa atual se centra em como as ferramentas sociais da rede podem melhorar o ensino, criando contextos globais e locais de participação, inovação e criatividade.

Primeiramente, Bárbara comparou os sistemas de gerenciamento de aprendizagem e conteúdo: linear e da web. Enquanto muitas escolas ainda praticam o curso linear, que resulta no controle da informação e dos alunos; a aprendizagem na web proporciona uma autonomia da informação, tanto daquele que a gera quanto daquele que a recebe. O sistema da web é multiplicador e sem fronteiras, pois não se limita a uma sala com 25 alunos. “De uma sala de 25 alunos para a internacionalização”, como Bárbara colocou. “A principal diferença entre a aprendizagem convencional e a aprendizagem na web é que na primeira os participantes interagem em um universo pequeno e o conteúdo vem de fora, enquanto na web proporciona-se um ambiente de aprendizado onde os participantes colaboram espontaneamente”. São múltiplas perspectivas e múltiplos canais.
Espontaniedade e autonomia são as palavras-chave nesta era colaborativa. Bárbara, ao utilizar os blogs com seus alunos diz que não controla o conteúdo que os mesmos criam. Afinal, controlar é do curso linear e a proposta é que na web os estudantes possam experimentar sua liberdade de expressão. A expressão é válida na forma de textos, de fotos de vídeos, que varia de acordo com a ferramenta que for utilizada: youtube, blog, flickr, bookmark, entre outras. “Não quero impor. O importante é só alertar ao estudante que ele não poste algo que não gostaria de ler daqui alguns anos, já que na web tudo fica documentado”, defende.

blogandoparaensinar2.JPG

É uma lógica semelhante ao edutainment, praticado principalmente pelas escolas construtivistas. O objetivo é o de criar um contexto lúdico e descontraído para educar, utilizando games, simulações, internet e plataformas digitais. Isto é aprender “COM” (modelo construtivista) em vez de se aprender “A PARTIR DE”.Infelizmente, educadores que pensam como Bárbara, ainda são escassos. Que a informação existe na web em grande escala, todos sabem. Mas entender quais são as ferramentas e a aplicabilidade que auxilia no desenvolvimento dos estudantes, é ainda um desafio. Por isso, é fundamental que os educadores mergulharem nesse universo digital para entender das ferramentas de rede e partilhar esse conteúdo. Afinal, eles são agentes multiplicadores. Bárbara também me disse que muito do aprendeu foi sozinha. “Hoje não podemos depender somente das instituições”. Quem diria, ouvir isso da boca de um educador.

Para finalizar, queria compartilhar um vídeo sensacional criado por Michael Wesch com colaboração de 200 estudantes da Kansas State University. Esse vídeo mostra exatamente a realidade dos estudantes hoje e seu conflito com o sistema educacional convencional. Afinal, o que os estudantes querem hoje? Certamente, não é mais deslocar os átomos para uma sala com outros “números” para sentarem em frente a um quadro negro e ouvir teorias.

Aline González

  4 comentários para “Educação 2.0”

  1. Obrigada pela cobertura da apresentação - você pode encontrá-la em Slideshare no meu blog Wide Open Spaces

    Postado por Barbara Dieu em 16 February 2008 ás 8:14 am
  2. É importante que o conceito de Educação 2.0 seja construído em torno da idéia de que os professores são agentes cognitivos que estão em um fluxo de transformação contínua em um ambiente em que predomina cada vez mais a comunicação bidirecional. Assim, os mesmos não podem estar a mercê das novas tecnologias e nem de cursos de “reciclagem” (reciclagem é para lixo!) e sim sendo tratados democraticamente como agentes de sua aprendizagem e potenciais dominadores dessas novas tecnologias.

    Postado por Alex Sandro C. Sant'Ana em 1 April 2008 ás 8:28 am
  3. Em relação à Web 2.0, acredito que o potencial dessas novas tecnologias ligados a esse conceito é enorme em termo de produção de um novo tipo de educação, cuja aprendizagem, penso eu, será cada vez mais significativa. Mas, simultaneamente, a Web 2.0 apresenta alguns riscos atualmente, que é o fato de tais novas tecnologias estarem sendo produzidas e conduzidas por empresas estrangeiras, principalmente norte-americanas. Nesse sentido, faz-se necessário problematizar as implicações da entrega de dados que todos nós estamos fazendo diariamente para essas empresas e os riscos que isso comporta tanto em termos individuais quanto em termos coletivos, de um Estado-nação: há algum compromisso dessas empresas em guardar permanentemente esses dados, que é uma verdadeira produção cultural brasileira, ou elas podem apagá-las quando bem quiserem? Não seria a hora do Brasil pensar em soluções próprias de novas tecnologias Web, inclusive considerando o uso e incentivo ao software livre, visto que essas novas tecnologias ligadas ao conceito de Web 2.0 são, em sua maioria absoluta, proprietárias? Nesse sentido, defendo um otimismo simultaneamente ligado a um processo de problematização do uso dessas novas tecnologias. Como usá-las? Mas, também, como resistir a elas? Resistência no sentido de problematização, questionamento, discussão, engajamento político-social de toda a sociedade, inclusive a escola e seus profissionais, pensando um Brasil independente em termos de tecnologia de software também na Web: e talvez entre em cena, nesse contexto, novamente o software livre, tanto citado apenas para os desktops.

    Postado por Alex Sandro C. Sant'Ana em 1 April 2008 ás 6:23 pm
  4. Sensacional, a idéia de geração multi-task que nos tras a noção de dispersão que essa geração tem diante de tanta informação pode ser interpretado como desafio para nós profissionais de comunicação e comunicação online.

    Belo texto.

    Postado por Thiago Honório em 25 June 2009 ás 4:13 pm

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