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Aug
27

Boa dica para quem gosta de um bom vinho!

Postado por: admin

A LongPlay acaba de entregar o projeto do site Vinho e Sexualidade, do Dr. Gerson Lopes.

Abaixo artigo de Marcelo Sanglard que está publicado no site

Os Rios de Tomás

O ano: 1977; o lugar: Ipanema. Tomás e seu irmão Miguel voltam do colégio e param para brincar na Praça Nossa Senhora da Paz. Eles têm respectivamente sete e 10 anos e nada estranham nessa rotina que já completa dois anos. Para eles é o momento certo no local certo, e a troca constante de endereços tem sido uma fonte inesgotável de descobertas e diversão.

Desde que seus pais optaram por deixar Portugal em meio à Revolução dos Cravos e fixar residência no número 276 da Rua Redentor, esta é a primeira vez que a família Roquette fica mais de seis meses num mesmo apartamento. Além de estudar no Porto Carrero e de brincar na praça, os dois irmãos, sob os olhos atentos da irmã mais velha Rita, freqüentam a Padaria Eldorado e vão à praia. Seu pai, Jorge Roquette, banqueiro de profissão e empreendedor por natureza, dirige uma fábrica de moldes de plástico com visto de trabalho oferecido pelo governo Médici. Sua mãe, Leonor, coordena com precisão não só a casa, mas também os finais de semana de descontração na ainda pacata Búzios.

O ano: 2010; o lugar: Gouvinhas, Portugal. Um Tomás agitado no vai e vem da cozinha para a sala de jantar senta-se à mesa e saca a rolha da garrafa de um Quinta do Crasto, safra 1997. Com a simplicidade nata aos que dominam a arte de servir vinho, estende-me uma taça. Não me apresso para levá-la ao nariz. Deixo o ar entrar um pouco na bebida, oferecendo-lhe movimentos circulares para só então experimentar uma pequena dádiva da natureza: um vinho de mesa sem maiores pretensões, amadurecido e aberto no seu auge. Esta combinação elevou este D.O.C. de forma natural a uma categoria que só os vinhos franceses e italianos, por vezes arrogantes, conseguem alcançar. Neste instante, entendi que quem estava na minha frente não era mais o menino de calças curtas que ia à missa na Igreja da Paz, mas sim Tomás Roquette, que junto a Miguel e outros quatro amigos despontaram há cerca de sete anos no mercado viti-vinicultor mundial como os Douro Boys.

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Vista do Douro da parte de traz da Quinta do Crasto

Mas, das areias de Ipanema para as margens xistosas do Douro não foi uma jornada fácil. “Poucas horas antes do embarque, fomos todos para a praia do Arpoador para um último mergulho. Uma despedida”, recorda Tomás. A relação forte com o Brasil não se resumia às praias do Posto 10 e de João Fernandes em Búzios. Com mais de 18 anos, Rita já ensaiava namoros sérios, e firmar raízes no Rio com um futuro casamento e filhos já aparecia no radar dos Roquette como algo provável. “Naquela altura tínhamos claramente a opção de ficarmos no Brasil. Com um pouco mais de tempo Rita estaria noiva e ganharíamos netos, o que impossibilitaria a nossa volta para Portugal como família”, relata Jorge ao me servir o mesmo rótulo, mas dez anos mais velho. O retorno só foi viável porque amigos lhe ofereceram um projeto irrecusável: montar o atual Banco Português de Investimentos, um dos quatro grandes de Portugal na atualidade.

Refleti sobre esse último comentário observando o conteúdo das duas taças. A toalha e os guardanapos incrivelmente brancos garantiam o contraste perfeito entre o tom tijolo de um vinho e o púrpuro violáceo de outro. No nariz e no paladar, os dois se mostram finamente balanceados e estruturados. A jovialidade estava evidente nas notas de cerejas e especiarias do 1997, enquanto a maturidade se vez ver nos taninos suaves e no longo final com notas defumadas e de especiarias do seu sucessor. O mesmo vinho em fases diferentes da vida. Vinhos diferentes.

Volto à realidade ao retomar atenção à história das vinhas do Crasto. Esta charmosa quinta localizada no Cima Corgo do Rio Douro já pertencia à família materna de Tomás e foi o ponto de partida para o projeto de aposentadoria de Jorge Roquette. No final da década de 80, ele começou a comprar outras terras contíguas à principal e iniciou a profissionalização na produção dos vinhos. A compra de maquinários modernos, remodelação dos processos de produção e a identificação das cepas distribuídas pelas vinhas, muitas vezes centenárias, começaram na década de 80 e continuam firme até hoje. “Este é um trabalho que não acaba nunca”, comenta Tomás com a consciência de quem investiu em 2010 cerca de sete milhões de euros numa nova vinha no Douro Superior, na parte mais próxima da fronteira espanhola.

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Vista do Douro da piscina da Quinta do Crasto

Contudo, no início dos anos 90 Tomás não estava muito interessado em vinhos. Para ser totalmente honesto, o seu único interesse era tomá-los. Entre um gole ou outro de um bom tinto do Douro, ele se frustrava com o pragmatismo do curso de marketing em Portugal e partia para a Inglaterra para estudar inglês e se graduar em gestão de negócios. Em 1995, Jorge o chamou para uma destas conversas de pai para filho e perguntou se não gostaria de se juntar a ele e ao Miguel no projeto da Quinta do Crasto. O irmão mais velho, neste meio tempo, já havia percorrido um caminho internacional até mais longo do que o de Tomás. Com pós-graduação na UCLA, Miguel acumulara conhecimentos sólidos sobre o eno business ao trabalhar em diversas partes da operação da viti-vinicultura, seja na distribuição com a Sogrape, na promoção do Vinho Verde ou na padronização de produção com o projeto de D.O.C. na Quinta do Noval. Reinava um período de efervescência no Douro e outros produtores como Xito Olazabal, Francisco Ferreira, Cristiano van Zeller e Dirk van der Niepoort também se movimentavam para elevar o padrão de seu produto final.

Da reunião familiar em torno do vinho para o reconhecimento internacional foram apenas dois anos. Em 1997, eles faturaram com a Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1995, o prêmio de melhor vinho tinto da International Wine Challenge na Inglaterra. Mas a consagração máxima viria na edição de junho de 2003 da Wine Spectator – a bíblia dos aficionados no líquido baquiano - que notabilizou 16 vinhos portugueses com notas iguais ou superiores a 90, num total máximo de 100. Destes, 10 garrafas eram da região do Douro, sendo que a melhor nota de todas, um 95, foi reservado ao Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2000. Nascia então a expressão Douro Boys e a família Roquette ganhava o mundo.

Trago os meus pensamentos para a mesa de jantar. Um Porto LBV é aberto e o tom rubi amadeirado inunda a taça de cristal onde se lê a inscrição da marca Crasto. O aroma e o sabor de frutas vermelhas são concentrados e persistem na boca. O jantar está acabando e pergunto para Tomás quais os desafios para uma quinta que chega às bordas de um milhão de garrafas anuais em um mercado competitivo onde o volume nem sempre está ligado à qualidade final do produto. Ele me serve um pouco mais do LBV e comenta: “O nosso desafio é fazer um vinho com a alma do Douro e que ao mesmo tempo seja apreciado pelos consumidores dos quatro cantos do mundo.” Concordo com ele. Vinho autoral é como cinema cabeça. Só o autor e pouco mais de meia dúzia de pessoas apreciam de verdade. É um luxo que a competitividade do mundo dos negócios não permite mais. Da mesma forma o oposto se mostra insustentável. A padronização massiva torna os sabores inclassificáveis e termina por matar rótulos que nunca deveriam ter existido.

Atravesso a aconchegante sala da casa em estilo colonial e me dirijo à varanda. A noite já vai longe e o cansaço se faz presente. Jorge me pergunta sobre as peças de teatro que estão em cartaz no Rio de Janeiro. Infelizmente não posso ajudá-lo. Após sete anos morando em São Paulo, faço muito pouco a ponte aérea para ficar antenado com as produções locais. Todos os anos, desde seu retorno para Portugal em 1981, ele e Leonor visitam a Cidade Maravilhosa ao menos uma vez por ano. Na agenda há espaço para os negócios. O Brasil surfa uma onda de crescimento no cenário mundial dos vinhos e a família Roquette não quer ficar de fora. Dados de 2009 da auditoria Euromonitor indicam que o Brasil já é o quinto maior mercado desta bebida no mundo e o segundo na América Latina, perdendo apenas para nossos hermanos argentinos que são os maiores produtores deste lado do continente. Mas rever amigos, ir aos teatros e aproveitar o charme dos bares e restaurantes cariocas ocupa a maior parte do tempo deste casal que literalmente plantou a semente de uma nova história para os vinhos do Douro.

Enquanto Miguel gira o mundo em busca de novos mercados, vez ou outra Tomás consegue uma folga na lida da produção e desembarca no Tom Jobim para matar a saudade do posto 10. “Ainda não voltei para Búzios, mas acho que estará totalmente diferente daquela que deixei há 30 anos!”, profetiza ao relembrar mais uma vez os finais de semana ensolarados nas areias da terra do Peru Molhado.

O ano: 2010; o lugar: Sampa. Olho mais uma vez a garrafa de um Quinta do Crasto Vinhas de Maria Tereza antes de guardá-la na adega. Imagino o potencial de guarda deste vinho safra 2007 e me projeto na cena da abertura de sua rolha daqui a 10 anos. Antecipo os aromas e sabores que ele proporcionará e já preparo uma pequena lista de amigos com os quais gostaria de compartilhar este momento futuro. Resta uma só pergunta: será que conseguirei guardá-lo até lá?

Marcelo Sanglard - colaborador  do site www.vinhoesexualidade.com.br 

Confira o belo projeto : http://vinhoesexualidade.com.br/      

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Dr. Gerson Lopes 

Aug
20

Novo cliente – Link Trade

Postado por: admin

Como muitos de vocês já sabem, o Link Trade é nosso mais novo cliente e à partir da próxima semana começa a veicular a primeira campanha criada pela LongPlay, que vai incluir rádio, internet e mídia indoor. Para conhecer um pouco mais sobre a nova realidade do mercado de ações e home broker, segue abaixo um texto da diretora de marketing da Link Trade, Mônica Saccarelli, que foi publicado no jornal Valor Econômico:

 

A vez da geração Y: surge um novo perfil de investidor na bolsa

Por Mônica SaccarelliTalvez você não tenha se dado conta, mas a tão falada geração Y pode estar influenciando a sua vida, mesmo que você faça parte da geração X (de 1965 a 1979) ou dos “baby boomers” (de 1946 e 1964). Representada por jovens adultos de até 30 anos, a geração Y já promove grandes mudanças em nossa vida social e profissional.

Intrigada com a ansiedade de amigos e colegas de trabalho dessa geração, que parece precisar conquistar tudo até os 30 anos senão o “mundo acaba”, eu decidi observar mais atentamente o comportamento desse público que logo tomará conta do mercado de trabalho e, consequentemente, também trará grande impacto ao mundo financeiro.

Para a bolsa, em especial, a nova geração adquire cada vez mais relevância, colhendo os frutos da melhora pela qual a economia brasileira passou nos últimos anos. Afinal de contas, a geração Y já chegou ao mercado com um cenário de inflação controlada. Com a presença crescente da bolsa no noticiário, o assunto também se tornou mais familiar.

No tempo da geração dos “baby boomers”, a compra e venda de ações ocorria via operadores do pregão por meio do contato cliente-corretora, por telefone ou visita pessoal. Com o avanço tecnológico, hoje basta um clique no mouse para enviar suas ordens, sendo esse o meio de operação favorito da geração Y, a geração da internet. Enquanto os mais velhos cativam o relacionamento com o gerente do banco ou o corretor da bolsa, essa geração foge desse procedimento, encarado como tão velho e arcaico quanto um talão de cheques. Para eles, o home broker e o home banking são o seu habitat.

O investimento deles ainda não se destaca pelo volume, pois estão há pouco tempo no mercado de trabalho e, portanto, possuem uma renda menor que a de um sênior da geração X. Mas o que se vê no mercado é que olham para a bolsa de outra forma, com menos receio.

Exibem um conhecimento da bolsa que dá inveja em muitos “coroas”. Com o efeito da internet, se acostumaram a buscar tudo na web, revelando uma faceta autodidata. É impossível, inclusive, imaginar o dia desse jovem sem o auxílio das plataformas digitais.

O dia típico de um investidor Y começa com o despertar do smartphone. A caminho da academia, lê os e-mails e se atualiza da movimentação dos mercados estrangeiros com a ajuda de aplicativos especializados. No trabalho, sempre encontra tempo para uma operação ou outra no home broker, enquanto cuida dos afazeres da empresa.

A interatividade já faz parte do seu cotidiano, seja em chats diários com analistas, na participação em fóruns de redes sociais ou na troca constante de SMS com amigos e paqueras. Além disso, tem dias em que encontra tempo para assistir um curso à distância.

Não por acaso, é o público que mais tem motivado os lançamentos de ferramentas de compra e venda de ações para IPhone. Nesse universo de conectividade, acompanhar as ações diariamente não é um bicho de sete cabeças, mas uma tarefa tão simples como ter mais uma janela aberta no desktop do computador. Totalmente inserido numa realidade multimídia, esse jovem não tem dificuldade em realizar várias atividades ao mesmo tempo.

Sua personalidade imediatista os inclina mais para as análises técnicas. O gráfico se torna atrativo não apenas pela sua característica de investimento de curto prazo, como também na metodologia de análise, mais fácil que a de ler balanços financeiros.

Além disso, esse jovem tende a se tornar um investidor globalizado, sem fronteiras, a exemplo da internet. Quando uma análise sugere que um papel listado numa bolsa de fora é atrativo, nada o impede de explorar esse novo mercado.

Após essa reflexão, me dei conta de que entender a geração Y não era uma mera demanda da minha curiosidade pessoal, mas uma necessidade que o mercado começa a nos trazer. Na vida pessoal, os prejuízos de ignorar esses fatos podem ser apenas sociais, mas, se não estivermos atentos, não seremos bons gestores dessa geração Y e muito menos iremos satisfazer esse novo perfil de cliente, cada vez mais relevante.

E com a ansiedade dessa moçada, não se surpreenda se um dia você se deparar com um chefe dessa geração, que não entenderá se você ainda não estiver familiarizado com o mundo moderno. Se por um lado é uma questão de tempo para que sejamos cobrados sobre essas novas tendências, da mesma forma quem for precavido poderá lucrar caso tente se antecipar a esse movimento, tão irreversível quanto a própria internet.

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